DIA DOS REIS MAGOS

HISTÓRIA DOS REIS MAGOS


Os Reis Magos eram três: Gaspar, cujo nome significa “Aquele que vai inspecionar”; Melquior, que quer dizer; “Meu Rei é Luz”; e Baltazar, que se traduz por “Deus manifesta o Rei”.

REIS MAGOS
Astrólogo, na antiguidade, era sinônimo de Sábio. Os 3 Reis Magos, vindos de diferentes lugares do mundo, encontraram-se no Oriente guiados pela mesma Estrela. Vindos de terras e culturas muito distantes, cada um trazia um Presente que representava uma Escola de Sabedoria: o Ouro, vindo da Europa Oriental representa a Escola da Alquimia. O Astro correspondente é o Sol. A Mirra, veio da África, e representa a Escola da Magia. O Astro correspondente é a Lua. E o Incenso, símbolo da transmutação do denso no sutil, vindo do Oriente, representa a Escola da Astrologia. O Planeta correspondente é Saturno.


OUTRA VISÃO

Os Magos que visitaram Jesus Cristo tiveram um papel decisivo no desenrolar dos acontecimentos narrados no Novo Testamento. As Escrituras não especificam se foram realmente três - nem reis - mas, apenas, “uns magos”. Naquela época, “mago”era a pessoa que exercia o papel de sacerdote e astrólogo, representando um tipo de conselheiro espiritual muito respeitado. As exegeses apontam para o número três em virtude dos presentes recebidos por Jesus.

Anos antes do nascimento do Filho de Deus, os Magos já sabiam que o Salvador estava a caminho, de acordo com previsões astrológicas e outras formas de adivinhação. Quando a Estrela de Belém surgiu no céu, bastou segui-la para irem ao encontro de Jesus. Em Jerusalém, foram ao palácio do rei Herodes, procurando pelo local exato onde estaria o “Messias”, o “Rei dos Reis”. Com medo de que aquela pessoa tão especial ameaçasse o seu poder, Herodes disse não saber o paradeiro do menino, pedindo aos Magos que avisassem assim que o encontrassem, a fim de que também ele pudesse adorá-lo. Na verdade, a intenção verdadeira era matar Jesus.

Como a distância percorrida pelos Magos foi grande e ao chegarem à Judéia não encontraram Jesus imediatamente, a Tradição atribuiu ao 6 de janeiro o dia dos Reis Magos.

Na visita, eles oferecerem três presentes: ouro, incenso e mirra.

O Ouro simboliza a realeza divina, além de ter proporcionado a Jesus a providência para a fuga ao Egito, que se daria pouco tempo depois, com a perseguição de Herodes.

O Incenso representa a fé e, quando aceso, a substância que sobe pelos ares é como se fosse a oração chegando aos céus.

Já a Mirra, uma resina usada para embalsamar corpos, é uma previsão do martírio e da morte de Jesus e, no fim das contas, uma mistura de mirra e aloés foi usada para envolver o seu corpo.

Em resumo, o ouro representa a realeza, o incenso representa a divindade, e a mirra o dom para ser profeta.
"Sendo por divina advertência prevenidos em sonho a não voltarem à presença de Herodes [que pediu para que os Magos avisassem o paradeiro de Jesus], regressaram por outro caminho a sua terra" (Mt 2, 12).

Nada mais se sabe sobre os Magos, além de interpretações posteriores que indicam que eles representariam as três raças humanas em idades diferentes e, seus supostos nomes, significam: Gaspar, “Aquele que vai inspecionar”; Melchior, “Meu Rei é Luz”; e Baltazar “Deus manifesta o Rei”.

A tradição de trocar presentes nesta época do ano vem dos Reis Magos, e em alguns países da Europa a data para dar e recebê-los é 06 de janeiro. Por sua vez, a Folia de Reis, uma das festas religiosas mais importantes no meio rural brasileiro, também é comemorada na mesma data.

Os astrólogos escolheram o Dia dos Reis Magos como o seu dia porque ele marca um dos momentos mais importantes da Astrologia, numa das passagens mais sagradas para a espiritualidade humana.

Dimitri Camiloto

A ESTRELA DOS MAGOS
“Nós vimos a sua Estrela no Oriente e viemos para nos prostrarmos diante d’Ele”.

S. Mateus diz :
- “Vimos a sua Estrela no Oriente e viemos adorá-Lo”.(Mt.2,2)
A Estrela é singularíssima. Anda à frente deles, eclipsa-se ao chegarem à capital de Israel e torna a aparecer no princípio do caminho para Belém, poisando sobre a casa em que habitava o Menino.
Estudiosos têm-se interrogado sobre o que era a Estrela que os guiou.
* Podia ter sido um cometa.
Era esta a opinião de Orígenes no século III.
* Podia ter sido a conjugação de Júpiter e Saturno que se deu na Constelação do Peixe e aconteceu três vezes no ano 7 a.C.
* Podia ter sido um sinal de natureza sobrenatural.
A intervenção divina em todo este acontecimento é inegável e manifesta-se mais evidente na atitude dos Magos do que na própria Estrela.
- “Vimos a Sua estrela”. (Mt.2,2)
Os Reis Magos personificam os povos gentios que reconheceram em Jesus o Messias Redentor.
São o símbolo de todos os povos do mundo que se orientam para Cristo quando descobrem o Evangelho, levando cada um a riqueza da sua cultura.
Segundo uma tradição as relíquias dos Magos encontram-se na Catedral de Colónia, na Alemanha
Santa Helena tê-las-ia achado na Pérsia.
Teriam estado depois em Constantinopla, no tempo de Anastácio, que as deu ao bispo Eustorgino.
Teria depois estado em Milão, onde Frederico Barbaroxa se apoderou delas e as entregou ao arcebispo de Colónia, Dagiele.
Costumes a propósito dos Reis
A partir do episódio da visita dos Magos nasceram diversos costumes :
* Associado com a festa da Epifania, desde a Idade Média começou o costume da bênção das casas com água benta e Incenso.
O sacerdote vai a casa e nela, à entrada da porta principal está escrita com giz no chão uma fórmula que significa o Ano corrente com as iniciais dos nomes dos Reis.
Assim, por exemplo, para 1997 : 19+C+M+B+97, a significar Caspar (ou Gaspar), Melchior e Baltazar e que, ao mesmo tempo são as primeiras letras iniciais da bênção das casas : Christus Mansionem Benedicat (Cristo abençoe esta casa).
* O costume do chamado Canto dos Reis de porta em porta.
Era o anúncio do nascimento de Cristo, como a visita pascal era o anúncio de Cristo ressuscitado.
Era uma espécie de auto popular, constituído por um conjunto de quadras que narravam o nascimento de Cristo.
Depois, infelizmente, paganizou-se e tornou-se numa forma de conviver, numa forma de ganhar dinheiro, numa forma de presentear a namorada mandando-lhe as "Reisadas", às vezes até com uma banda de música.
Então as quadras eram construídas com outro sentido e com referências jocosas às pessoas da casa.
O período durante o qual se cantam os Reis vai de 5 de Janeiro até ao dia litúrgico de S. Sebastião, 20 de Janeiro.
Há quem chame ao dia de Reis o "Natal pequeno", ou último dos Natais.
Na noite de 5 de Janeiro faz-se uma ceia em tudo semelhante à do Natal, mas em menores proporções.
E há por toda a parte o costume me fabricar, vender e apreciar o bem conhecido Bolo-Rei.
Enfim, acontecimentos relacionados com temas litúrgicos que nos convidam a tomarmos atitudes cristãs, que nos ajudem e preparem para fazermos parte do plano da História da Salvação.
John Nascimento

Reis Magos, santos esquecidos dentro das tradições do Natal
Armando Gimenez
Das figuras bíblicas mais intimamente ligadas à tradição religiosa do povo destacam-se os Reis Magos, ou melhor, os Santos Reis uma vez que a hagiologia romana considera-os bem aventurados.
O simbolismo dos Reis Magos é amplo e emprestam-lhes os exegetas as mais diversas interpretações. Estão ligados intimamente às festas do Natal e deles nasceu, praticamente, a tradição do Papai Noel, pois os presentes dados nessa ocasião reproduzem que os magos do Oriente, depois de cumprida a rota que lhes indicava a estrela de Belém, prestaram a Jesus na gruta onde ele nascera.
As referências bíblicas são vagas e o episódio quase passa despercebido dos evangelistas, mas as contribuições da tradição patriática são muitas e, como elas têm força de fé e verdade, nelas devemos buscar grande parte das coisas que se contam dos santos Belchior, Gaspar e Baltazar já referidos pelos profetas do Velho Testamento, que vaticinavam a homenagem dos Reis ao humilde filho de Davi que deveria nascer em Belém.
De onde vieram e o que buscavam, pouca gente sabe. Vinham do Oriente e Baltazar, o mago negro talvez viesse de Sabá (terra misteriosa que seria o sul da Península Arábica ou, como querem os etíopes, a Abissínia). Simbolizam também as três unicas raças bíblicas, isso é, os semitas, jafetitas e camitas. Uma homenagem, pois, de todos os homens da Terra ao Rei dos Reis.
Eram magos, isto é, astrólogos e não feiticeiros. Naquele tempo a palavra mago tinha esse sentido, confundindo-se também com os termos sábio e filósofo. Eles prescrutavam o firmamento e sentiram-se chocados com a presença de um novo astro e, cada um deles, deixando suas terras depois de consultar seus pergaminhos e papiros cheios de palavras mágicas e fórmulas secretas, teve a revelação de que havia nascido o novo Rei de Judá e, que ele, como soberano, deveria, também, prestar seu preito ao menino que seria o monarca de todos os povos, embora o seu Reino não fosse deste mundo.
O simbolismo dos presentes
Conta ainda a tradição que, ao chegar a Canaã, indagaram os Magos onde havia nascido o novo Rei de Judá. Essa pergunta preocupou Herodes, que hoje seria considerado um quisting a serviço dos romanos, e que reinava na Judéia.
Os representantes do Império preocupavam-se com o aparecimento de um novo lider do povo de Israel. A revolta dos macabeus ainda não fora esquecida e o povo oprimido esperava, ansioso, pela vinda do Messias que iria libertar o Povo de Deus e cumprir a palavra do salmista: "Disse o Senhor ao meu Senhor — senta-te à minha direita até que ponho os teus amigos como escarbelo aos teus pés".
Os magos procuram — conforme conselho de Herodes — o novo Rei para render-lhe homenagem e para informar o representante romano do lugar onde nascera o Messias a fim de, com falso preito, sequestrá-lo.
No presépio encontramos apenas os animais e os pastores e, inspirados pelo Espírito Santo, curvaram-se diante do filho do carpinteiro de Nazaré e depositaram, ao pé da mangedoura que lhe servia de berço, os presentes: ouro, incenso e mirra, isto é prendas que simbolizavam a realeza, a divindade e a imortalidade do novo Rei, e grão de areia que cresceria e derrubaria o ídolo de pés de barro (simbolo das grandes potências que se sucederam no domínio do mundo), do sonho de Nabucodonosor decifrado pelo profeta Daniel.
Símbolos da humildade
Na tradição cristã os três Reis Magos simbolizavam os poderosos que deveriam curvar-se diante dos humildes na repetição real do canto da Virgem Maria à sua prima Isabel, e "Magnificat", pois sua alma rejubilava-se no Senhor, que exaltaria os pequenos de Israel e humilharia os poderosos.
A igreja cultua os Reis Magos dentro desse simbolismo. Representam os tronos, os potentados, os senhores da Terra que se curvara diante de Cristo, reconhecendo-lhe a divina realeza. É a busca dos poderosos que vêem em Belchior, Gaspar e Baltazar o exemplo de submissão aos designios de Deus e que devem, como os magos, despojar-se de seus bens e depositá-los aos pés dos demais seres humanos, partilhando sua fortuna como dignos despenseiros de Deus.
Os presentes de Natal também têm esse sentido. São as ofertas dos adultos à criança que com a sua pureza representa Jesus. Alguns, dão a essas festas um sentido mitológico pagão, buscando nas cerimônias dos druidas, dos germânicos ou saturnais romanas a pompa das festas natalinas que culminam com a Epifania (ou seja a manifestação de Jesus Cristo aos olhos do mundo representados pelos Reis Magos, significando que a revelação de Deus seria a todos os povos da Terra).
Gimenez, Armando. "Reis Magos, santos esquecidos dentro das tradições do Natal". Diário de São Paulo, São Paulo, 5 de janeiro 1958

 




"Só se vê bem com os olhos do coração"

(Saint Exupéry)